|
Tratamento Microcirúrgico das Lesões Traumáticas
do Plexo Braquial
Introdução
As lesões traumáticas do plexo braquial
constituem-se num problema ortopédico muito grave
e cada vez mais frequente, numa sociedade em que as
agressões pessoais e os acidentes de trânsito
vêm aumentando em proporção alarmante.
Os mais atingidos são os adultos jovens e sendo
lesões extremamente graves provocam, em geral,
períodos de tratamento muito prolongados e grandes
incapacidades temporárias ou permanentes.
Na Inglaterra, ANDREW e col. (1978) (20), encontram
77% das lesões por estiramento, causadas por
acidentes com motocicletas e em 1979 (21) relatam que,
só em 1966, houve mais de 1.000 mortes por acidentes
com motocicleta, em toda a Grã-Bretanha. A maioria
ocorreu com motociclistas jovens, inexperientes, com
menos de 6 meses de licença para dirigir e 90%
usando capacete.
Outra observação que ANDREW faz e também
notamos na nossa casuística, é a incidência
maior dos acidentes com motocicletas menores. No Brasil
são os menos favorecidos economicamente, no use
diário obrigatório.
Pelas observações de ANDREW, as possibilidades
de um motociclista ser fatalmente traumatizado, são
vinte vezes maiores do que as do ocupante de um automóvel.
BARNES 1949 (26), na Escócia, analisa as lesões
do plexo braquial e o tratamento efetuado em três
grandes centros médicos da Grã-Bretanha,
durante a Segunda Guerra Mundial. Mesmo nesta época
a maior causa dos acidentes foi a motocicleta.
BENASSY e col. (1974) (29), acreditam que após
os traumatismos crânio-encefálicos e as
tetra ou paraplegias, as lesões do plexo braquial
seriam as mais graves complicações do
trânsito, tendo como causa principal as motocicletas.
Segundo GRUNDY e SILVER, 1983 (87), a combinação
juventude, motocicleta e álcool é muito
perigosa.
HENTZ e NARAKAS 1988 (95) consideram como paciente
típico de lesão do plexo braquial o jovem
motociclista, comparecendo à primeira consulta
com o especialista, alguns meses após o acidente.
Para MILLESI 1980 (149) o paciente seria um jovem motociclista
e sempre com outra lesão associada. (40, 51.111,195,227).
ROSSON 1987 (l97) 1988 (198) também encontra
nos pacientes com lesão
traumática do plexo braquial, uma maioria de
jovens motociclistas inexperientes. Em 30% as motocicletas
eram de baixa cilindrada e o acidente acontecendo sem
o concurso de outro veículo.
A influência cada vez maior do trânsito
no aumento da ocorrência de traumatismos graves
do plexo braquial é, portanto, a opinião
de muitos autores.
(239, 259).
No nosso meio, SOBANIA e col.,1989 (219), analisam 160
pacientes internados por acidentes de trânsito,
durante o mês de novembro de 1986, em um hospital
de emergências de Curitiba (PR). Encontram os
atropelamentos com 46% dos casos, as colisões
entre dois veículos com 31% e os acidentes com
motociclistas com 12,5%. Destes, a maioria (85%) é
do sexo masculino, com idade entre 18 e 30 anos (65%)e
com a maior média de dias de internação.
As lesões plexulares não são uniformes.
Diferentes mecanismos originam lesões diversas
com graus variáveis de gravidade. Este fato provoca
grande dificuldade na compreensão e avaliação
dos resultados do tratamento cirúrgico. (3, 9,
12, 20, 26, 47, 48, 61, 66, 110, 120, 195, 225, 255)
Na década de 50 conseguiu-se obter sistematização
mais acurada das lesões, mas e publicação
dos resultados obtidos pela cirurgia e publicados na
década de sessenta foram desanimadores. (78,
144.145, 203, 259, 260, 261) Concluiu-se que, em grande
número de acidentados, as lesões são
tão graves que a cirurgia nada poderia oferecer.
A exploração cirúrgica do plexo
era então considerada inútil.
BATEMAN (27), era uma voz discordante. Aconselhava,
desde 1949 a se fazer uma exploração cirúrgica
precoce, principalmente na falta de um diagnóstico
preciso. Suas cirurgias (21 casos) eram feitas com o
paciente colocado em posição semi-sentada
na mesa cirúrgica, para diminuir o sangramento.
Nos casos de menor gravidade, há regeneração
nervosa espontânea variável e naquela época,
o tratamento era somente expectante. Nos casos de maior
gravidade indicavam-se cirurgias radicais, pois estes
eram considerados irrecuperáveis. (205, 208)
FLETCHER 1966 (78), após o seguimento de 120
casos durante 6 anos, refere ter feito 69 amputações
nos casos mais graves.
MALONE e col.(1982)(138) aconselha, nos casos com diagnóstico
de lesão pré-ganglionar, a amputação
precoce, para que se tenha boa adaptação
à prótese. Aconselha a mielografia para
o diagnóstico de certeza da avulsão das
raízes e indica a amputação acima
do cotovelo, juntamente com a artrodese do ombro.
MERLE D'AUBIGNÉ & DEBURGE (1967) (145),
não tratam as lesões neurológicas,
que consideram irreversíveis. Adotam, como conduta,
somente o tratamento das seqüelas, com artrodeses,
transplantes musculares e tendinosos. Nos casos mais
graves indicam a amputação.
STANWOOD e col. (1971) (223) indicam a amputação
precoce, abaixo do cotovelo, nas lesões pré-ganglionares.
YEOMAN - em colaboração com SEDDON em
1961 (261) e em 1965 (259) aconselha se resolver logo
o problema do doente, pois a demora somente prejudica
suas perspectivas de vida.
Nos casos de lesão pré-ganglionar, indica
imediatamente as cirurgias ortopédicas e mesmo
as amputações.
NARAKAS (1980) (l70) observa que nos últimos
100 anos, o tratamento cirúrgico das lesões
do plexo braquial, foi alternativamente usado e abandonado.
Em 1988, juntamente com HENTZ (95), faz um retrospecto
analisando a evolução das condutas nas
lesões traumáticas do plexo braquial e
na paralisia obstétrica. Observam que, já
em 1896, THOBURN referia ter feito uma reconstrução
neurológica com recuperação útil.
Seguindo-se, então, entre 1905 e 1906, uma fase
intervencionista, com CLARK, TAYLOR & PROUT. A ocorrência
de muitos óbitos levou a só se voltar
a pensar em cirurgia com SEDDON, em 1945, referindo
somente maus resultados. Segundo os autores, WATSON
JONES, em 1963, desaconselhava formalmente qualquer
indicação de cirurgia neurológica.
Na década de sessenta, no nosso meio, algumas
das poucas intervenções acontecidas, tinham
reunido, no mesmo ato operatório, o ortopedista,
cirurgião vascular, o neurocirurgião e
o especialista em cirurgia de cabeça e pescoço.
Pouca coisa se fazia; na maioria das vezes não
se conseguia uma boa identificação da
lesão. Haviam raras suturas, com encurtamento
ou ressecção clavicular para a aproximação
dos cotos nervosos, mal identificados e dissecados.
O plexo braquial é um emaranhado muito grande
de troncos nervosos, com grande entrelaçamento
fascicular e axonal, oriundos do cérebro, da
medula e de gânglios, constituindo-se numa anatomia
e fisiologia de difícil sistematização.
Todo este complexo, entremeado e cercado por importantes
vasos, tornando difícil e perigosa a exploração,
é um dos fatores mais importantes das dificuldades
encontradas nas reconstruções, na obtenção
de bons resultados e na avaliação do tratamento.
(1, 16, 18, 34, 38, 47, 48, 82, 83, 93, 97, 107, 123,
137, 139, 159, 179, 180, 181, 183, 208, 216, 230, 232,
233, 236, 238. 242, 245)
Com o pessimismo reinante quanto às operações
neurológicas, tratavam-se somente as seqüelas.
(145, 261, 259)
É interessante observar que, esta mesma conduta
era aplicada também às paralisias obstétricas,
que só mais recentemente voltaram a ser encaradas
como lesões neurológicas. (42, 73, 85,
95, 170, 199, 218, 238, 240)
A melhor assistência ao parto vem diminuindo
o surgimento de novos casos de paralisia obstétrica,
mas o transito de veículos, cada vez mais intenso
e perigoso, vem aumentando o surgimento de mais traumatismos
graves por tração, em alta velocidade,
do plexo braquial. (87, 170, 199, 219)
No princípio os traumatismos crânio-encefálicos
matando a maioria dos acidentados e posteriormente,
o use obrigatório do capacete nos motociclistas
e os melhores cuidados em unidades hospitalares especializadas,
permitindo a sobrevivência de um grande número,
a ser tratado de outras lesões, não tão
mortais, mas muito incapacitantes, como as lesões
do plexo braquial. (20, 21, 26, 29, 41, 51, 87, 95,
111, 149, 195, 197, 198, 219, 227, 239, 259)
Os fins de 1970 e princípios de 1971, trouxeram-nos
os primeiros contatos com a microcirurgia vascular e
nervosa.
Começamos a fazer as primeiras tentativas de
reimplantes de membros amputados, com técnicas
microcirúrgicas e os resultados, em comparação
aos anteriores, que fazíamos sem a utilização
destas técnicas, foram bem melhores. (70, 76,
77)
As reconstruções vasculares de reimplantes
a níveis proximais, tornaram-se cada vez mais
seguras e passamos a tentar os reimplantes a nível
de dedos, com sucesso. (72)
No início da década de 70, MILLESI e
col. (l54) divulgam seus trabalhos de aplicação
da microcirurgia na cirurgia de nervos.
Com o horizonte que se abriu às técnicas
de cirurgia microscópica, fizemos nossas primeiras
reconstruções em lesões de nervos
periféricos. (68, 71. 74)
As possibilidades de precisão da enxertia nervosa
não ofereceram, é claro, com a mesma rapidez,
os resultados das suturas vasculares nas amputações.
Os resultados em cirurgias neurológicas são
mais demorados e mais difíceis de serem avaliados.
(23, 59, 62, 68, 86, 98, 113, 133, 154, 182, 204, 231,
238, 241)
Fomos, porém, sendo gratificados. No início,
pela maior tranqüilidade e segurança nas
intervenções e posteriormente com o aparecimento
dos primeiros resultados. (23, 71)
Tomamos então conhecimento dos relatos de NARAKAS
(1972) (166) 1977 (18'), sobre as reconstruções
das lesões do plexo braquial, tornadas possíveis
com a aplicação dos novos métodos,
e operamos nossos primeiros casos de lesão do
plexo braquial. (73,75)
Apesar de alguns trabalhos ainda aconselharem tratamento
expectante (205) as possibilidades de se operar sem
grandes riscos, através de técnicas precisas
e delicadas levam a um ressurgimento das indicações
cirúrgicas em todo o mundo.
Sente-se, porém, a necessidade de melhores meios
de diagnóstico.
Apesar dos grandes avanços tecnológicos,
o entendimento do tipo da lesão e de sua topografia,
depende ainda, basicamente, do exame clínico
e da experiência do cirurgião. (10, 15,
23, 47, 48, 101, 136, 151, 161, 181, 249)
A eletromiografia pode ser feita após a terceira
semana do traumatismo e pode ser repetida, para a adoção
definitiva da conduta, que deve ocorrer em noventa dias.
Um exame eletromiográfico minucioso pode ajudar
no diagnóstico do grau da lesão e da sua
localização.
BUFALINI e col. (1969) (45) aconselham a pesquisa da
musculatura posterior do pescoço para o diagnóstico
de lesão pré-ganglionar ou não.
CADRE (1977) (46) acha que a eletromiografia é
um bom exame no auxílio da delimitação
do território atingido e do tipo da lesão,
mas na pesquisa dos músculos posteriores cervicais
não haveria condições de individualização
da raiz lesada pela superposição metameral
existente. (55, 103)
STRASCHILL e col. (1977) (226) consideram a eletromiografia
um bom exame para controlar a evolução
de regeneração nervosa.
WILBOURN (1985) (254) considera o exame eletromiográfico
de lesão do plexo braquial muito difícil.
E o diagnóstico de avulsão, pelo encontro
de fibrilações nos músculos paravertebrais,
é muito sujeito a erros. (54, 55, 103, 137, 221,
222, 238)
JONES, WYNN PARRY e outros (1981) (106) consideram
um bom exame a pesquisa do potencial de ação
sensitivo para o diagnóstico topográfico
da lesão.
LANDI, COPELAND, WYNN PARRY e JONES (1980) (122) usam
o potencial somato-sensitivo evocado e o potencial de
ação sensitivo para o diagnóstico
de lesão pré-ganglionar e lesões
em dois níveis. Surpreenderam-se com a não
correlação dos achados cirúrgicos
visuais e os dos exames.
LIBERSON, W.T. & TERZIS, J.K., (1987) (131) conceituam
os exames neurofisiológicos possíveis
de serem usados nas lesões do plexo braquial:
resposta galvânica da pele, potencial evocado,
termográfica e o sinal elétrico de Tinel
(nova e mais simples técnica de potencial evocado).
SUGIOKA e col., em 1982 e 1984 (228, 229), consideram
o potencial evocado intraoperatório quase indispensável
no diagnóstico de viabilidade radicular ou troncular.
Em alguns centros médicos mais avançados,
já se pode contar com a ajuda de exames eletroneurofisiológicos
mais sofisticados, como a pesquisa do potencial evocado,
somato-sensitivo e outros. (105, 116, 228. 229, 234,
238, 262)
A mielografia cervical, muito usada (81) logo após
o seu surgimento, vai sendo cada vez mais abandonada.
Consideramo-la um método invasivo e sem confiabilidade
(52, 67, 96, 193). Além disto, à luz de
nossos conhecimentos, as informações que
traz não mudam a conduta a ser tomada.
Mais modernamente, o use da tomografia computadorizada
e da ressonância magnética tem trazido
mais subsídios ao médico, na busca de
um diagnóstico mais preciso e, talvez no futuro,
no auxílio e controle da evolução.
(30, 33, 84, 91, 140, 174, 189)
A técnica microcirúrgica, dando mais
segurança e eficiência à cirurgia,
permite diagnósticos intraoperatórios
mais convincentes e leva a exploração
a se tornar importante meio diagnóstico, quase
obrigatório, nos casos mais duvidosos. (169)
As opiniões foram mudando e após alguns
anos de experiência com as novas técnicas,
equacionou-se, satisfatoriamente, a conduta nas lesões
pós-ganglionares. (6, 13, 15, 16, 69, 115, 136,
153, 174, 175, 211, 212, 237) Mas ainda não havia
solução para as lesões pré-ganglionares
múltiplas, que alguns tinham ensinado a nada
mais fazer, a não ser o tratamento das seqüelas.
(50, 145, 259, 261)
Apesar da resistência de outros, (25) as indicações
rotineiras de amputações e próteses
eram coisa do passado.
Todos nós sabemos da grande diferença
existente entre uma prótese para o membro inferior,
quase sempre muito útil, mesmo a mais primitiva
e uma prótese para o membro superior, pouco satisfatória
e não usada, mesmo a mais sofisticada. (102)
Chegava-se a indicar a amputação até
para o tratamento da DOR que sabemos ser deaferentada
e portanto não se modifica com a retirada do
membro. (44, 48, 117, 130, 151, 177, 178, 187, 194,
201, 290, 243, 244, 248. 260, 268)
Segundo ALLIED & CENAC 1988 (6), nos dias de hoje,
a visão das lesões do plexo braquial são
menos pessimistas que no passado. Observam que a amputação
nunca é cogitada pelo paciente e quando executada
não resolve a sintomatologia, pois a dor é
central e o que é pior, os pacientes amputados
dificilmente se adaptam a uma prótese.
RANSFORD & HUGHES (188) revisando treze pacientes
amputados notam que somente dois usam uma prótese
e em nenhum a amputação melhora a dor.
Foi então se formando o conceito das necessidades
prioritárias, com o ressurgimento da idéia
das neurotizações ou transferências
de inervação. (53. 94, 127, 129, 134,
147, 169, 170, 173, 176, 178, 211, 212, 224, 238, 239,
247, 251)
Com elas, podemos dizer que não há caso
completamente irrecuperável, do ponto de vista
neurológico. (169, 173)
Neurotização é sinônimo
de reinervação sensitiva ou motora. A
neurotização direta de um músculo
paralisado foi popularizada por BRUNELLI (43) que implanta
terminações nervosas em músculo
paralisado e observa a formação de novas
terminações e receptores dentro do músculo.
Segundo NARAKAS (1988) (l75) a neurotização
de uma estrutura nervosa por outra parece que começou
com LETIEVANT em 1873, (129), implantando um nervo são
em outro lesado.
Em 1903, HARRIS & LOW (94) usam raízes não
avulsionadas para reinervar raízes avulsionadas,
em traumatismo do plexo braquial.
Em 1912, TUTTLE (247) inicia neurotizações
extraplexuais com ramificações motoras
do plexo cervical.
VULPIUS & STOFFEL em 1920, (25l), usam a inervação
do peitoral maior para reativar o nervo musculocutâneo
e o nervo axilar.
FORSTER em 1929,(79) usa o nervo toracodorsal e o nervo
torácico longo para neurotizar o nervo axilar
e o tronco superior do plexo respectivamente.
Em 1940, STEINDLER (224), prioriza o nervo toracodorsal
reinervando-o, na espera da melhora funcional do músculo
grande dorsal, pensando em futura transferência
para flexão do cotovelo.
Segundo NARAKAS, (1988) (175), foi LURJE quem, em 1963
indicou pela primeira vez, o use dos nervos intercostais
nas avulsões totais do plexo braquial. Segundo
suas próprias publicações (134),
desde 1948 ele já vinha fazendo use do nervo
torácico longo para reinervar o nervo supraescapular,
dos nervos torácicos anteriores para o nervo
musculocutâneo e de ramos tricipitais do nervo
radial para o nervo axilar. A retirada de parte da inervação
do músculo peitoral a músculo tríceps
do braço pode ser compensada com exercícios.
Refere bons resultados clínicos a eletromiográficos.
GU YU-DONG e col. em 1987, (90) em 108 casos de avulsões
de raízes, entre os anos de 1960 a 1984, fazem
transferência do nervo frênico, do nervo
acessório, de ramos motores do plexo cervical
e de nervos intercostais, referindo bons resultados.
Em trabalho de 1989, (89), GU e col. referem a obtenção
de 84,6% de bons resultados com as neurotizações
usando o nervo frênico, nã6 tendo observado
qualquer prejuízo funcional à respiração.
Em 1988, (88), informa-nos, pessoalmente, ter realizado
casos de reinervação do plexo lesado,
usando a raiz C7 (sétima raiz cervical) do lado
sã6, contralateral, através de enxertos
transtorácicos.
Desde 1969, NARAKAS, (173), vem preconizando o use
de vários tipos de neurotizações,
tendo introduzido a terminologia de transferências
ou neurotizações intraplexuais e extraplexuais
(176), para denominar o use de elementos sãos
para reinervar elementos lesados, de dentro e de fora
do plexo, respectivamente.
Hoje, a reunião dos conhecimentos nos permitem
diagnosticar a grande variabilidade de lesões
que podemos encontrar e usar as opções
técnicas mais apropriadas. Assim, podemos, durante
a exploração cirúrgica, realizar
a neurólise externa e interna, que por si só
já são um excelente meio de diagnóstico
e de tratamento. (23)
ALNOT 1988 (l5) considera que o primeiro passo na exploração
cirúrgica é sempre uma neurólises
externa ou exoneurólise. As endoneurólises
das lesões parciais devem ser muito cuidadosas,
pois, freqüentemente é muito difícil
se diferenciar fascículos lesados de intactos
e ainda se corre o grande risco de se interferir com
o suprimento sanguíneo. Considera que as neurólises
podem facilitar a recuperação numa área
que já está mostrando sinais de regeneração.
As neurólises tardias sã6 justificáveis
na presença de dor persistente.
Usando-se o conceito de prioridades funcionais, proceder-se-ão
às reconstruções com enxertos,
vascularizados ou não, usando-se suturas e adesivos,
fazendo-se ou não as transferências de
inervação intraplexuais ou extraplexuais.
(173, 176, 217) Já em 1955, BROOKS, (41) define
a indicação de enxerto de nervo, quando
a sutura direta não é possível.
Isto poderia acontecer quando a distância entre
os cotos não pudesse ser vencida, mesmo após
a flexão das articulações. Os enxertos
seriam revascularizados pelo leito onde são colocados.
Segundo SEDDON (203), o enxerto de nervo foi iniciado
na Primeira Grande Guerra; tendo sido Ballance e Duel
os padronizadores da técnica. Relata experiência
de mais de 100 casos.
Em 1972, MILLESI e col. (154) , revivem os enxertos
de nervo, agora com técnica mais precisa. Após
experiências em gatos e coelhos, usando a microcirurgia,
observam que o que mais influencia os resultados é
a tensão na linha de sutura.
Descrevem minuciosamente a técnica da reconstrução
e da retirada do nervo sural, rotineiramente usado como
enxerto.
Mostram os resultados da sua experiência clínica
com 193 casos operados de 1964 a 1970. Em 1975, apresentamos,
(FERREIRA e col.) (71), nossas primeiras observações
clínicas do use de enxerto interfunicular de
nervo com técnica microcirúrgica.
BIRCH e col. em 1984, 1986 e 1988 (30, 31, 32), comentam
o use do enxerto de nervo vascularizado, em especial
o nervo ulnar, usado principalmente em reconstruções
do plexo.
NARAKAS (172) em 1985 refere só ter indicado
enxerto vascularizado quando o leito vascular for muito
ruim.
Em 1987, apresentamos, (MATTAR e col.) (143), um estudo
comparativo experimental entre o enxerto de nervo vascularizado
e não vascularizado, encontrando naquele maior
rapidez na regeneração nervosa. (37, 63,
152)
Em 1988, SHIBATA e col., (213), em Louisville, USA,
comparam o use do enxerto vascularizado e não
vascularizado chegando a conclusão de que, do
ponto de vista clínico, seu uso, pela maior complexidade
do método, não é justificável.
As técnicas básicas de enxertia de nervos
sofreram poucas modificações desde os
trabalhos de MILLESI e col. (154).
A grande ajuda que recebemos nestes últimos
anos, principalmente nas reconstruções
mais complexas como as do plexo braquial, foi a do adesivo
de fibrina homólogo, a cola de nervo, que estamos
usando há algum tempo.
Não é uma técnica nova, pois j
á é citada por SEDDON em 1963 (203), mas
somente nos últimos 5 anos vem sendo empregada
mais rotineiramente.
Em 1990, em trabalho experimental, demonstramos, (MATTAR
e col.) (142), a aplicabilidade do adesivo de fibrina.
Não publicamos trabalho clínico semelhante,
mas a experiência nos tem demonstrado sua eficiência.
E, por fim, sempre dentro de um planejamento inicial,
devemos nos valer das possibilidades das transferências
musculares ou tendinosas e das artrodeses, na busca
da funcionalidade do membro afetado. (l7, 22, 24, 99,
100, 119, 145, 146, 151. 153. 156, 163, 238) Mas, apesar
dos grandes progressos na manipulação
das estruturas nervosas, ainda estamos longe da perfeição.
O próprio NARAKAS (l71), considera limitadas
as nossas possibilidades em relação às
lesões nervosas. Mesmo com as técnicas
microcirúrgicas, o cirurgião não
deve ultrapassar o perineuro. A microcirurgia pode,
no máximo, alinhar mais ou menos os fascículos
e unir suas extremidades com sutura ou cola. Não
se consegue realinhar as fibras nervosas, nem garantir
sua regeneração. O autor acrescenta ainda
que o resultado clínico de uma operação
sobre um nervo periférico, tem ainda que depender
também da sorte.
Durante todos estes anos, de 1973 até esta data,
operamos três centenas de casos de plexo braquial
com quase todos os tipos de lesões. Cuidamos
de casos de lesões por compressão externa
e interna, lesão por arma de fogo, arma branca
e até bisturi. (l20, 191)
Por questões circunstanciais, adquirimos pouca
experiência em casos de paralisia obstétrica.
Teríamos que trabalhar estreitamente ligados
a um grande Serviço de Obstetrícia e Pediatria.
Os ferimentos cortantes, por face ou vidro, apresentam
conduta estabelecida e prognóstico relativamente
benigno, por permitirem sutures diretas, praticamente
imediatas. (114.184)
.As compressões extrínsecas maiores apresentam
quadro extremamente variado e são mais raras.
(171)
Os casos cada vez mais comuns e mais graves são
aqueles nos quais as raízes e troncos primários
são submetidos a forças de tração
violentas, geralmente por acidentes em alta velocidade.
(3, 9, 20, 26, 87, 110, 164, 169, 170, 172, 217, 259)
O presente trabalho apresenta nossa experiência
no tratamento de 71 desses casos, com um seguimento
mínimo de dois anos.
A terminologia utilizada neste trabalho foi baseada
na Nomina Anatômica, aprovada pelo 1º Congresso
de Anatomistas.
Traduzida sob supervisão de Comissão
de Nomenclatura da Sociedade Brasileira de Anatomia.
MEDSI, Ed. Med. Cient., R.J.,
1984. 5ª edição
|